Contemporânea

Curso de dança

A Dança Contemporânea é um género de dança teatral que se desenvolveu em meados do século xx e, desde então, tornou-se um dos géneros mais conhecidos, especialmente no mundo ocidental.

Alguns teóricos remetem a origem da dança contemporânea aos experimentos dos artistas pós-modernos do movimento Judson Dance Theater, iniciado na década de 1960, nos Estados Unidos. Entretanto, valores éticos e estéticos da dança contemporânea são encontrados desde o início do século XX, no pensamento de primeiros precursores da dança moderna como Isadora Duncan. Em termos técnicos, a dança contemporânea tende a combinar diversas qualidades de movimento, uma vez que não se prende a estéticas pré-estabelecidas. Cada projeto coreográfico compreende um projeto técnico, elaborado durante o processo de composição. Maria José Fazenda, no prefácio do livro já citado, diz que: “Quanto à obra coreográfica contemporânea, ela apresenta formas e conteúdos diferentes e formatos diversificados – na dimensão, no número de intérpretes, nos lugares de apresentação – e, nela, o movimento do corpo estabelece múltiplas relações com os elementos plásticos (objetos, cenários) e sonoros e com as imagens virtuais”.

Pode observar-se, de forma diversa, por exemplo, o forte e controlado trabalho das pernas do ballet com a ênfase sobre o torso, da dança moderna, além de empregar as técnicas de contract-release (contração e relaxamento), floor work (dança do solo e parede), fall-recovery (queda e recuperação) e improvisação características da dança moderna. Imprevisíveis mudanças de ritmo, velocidade e direção também são usadas, assim como podem ser incorporados elementos de danças não ocidentais, tais como os joelhos semifletidos da dança africana ou os movimentos do Butoh.

Mais que uma técnica específica, a dança contemporânea é uma coleção de sistemas e métodos desenvolvidos a partir da dança moderna e pós-moderna. O desenvolvimento da dança contemporânea foi paralelo, mas separado do desenvolvimento da New Dance na Inglaterra. Distinções podem ser feitas entre a dança contemporânea: Brasileira, Americana, Canadense e Europeia.

A dança contemporânea, como proposição, não possui uma técnica de dança específica que seja sua base. O criador/intérprete em dança contemporânea pode partir de técnicas sistematizadas como ballet clássico, contato-improvisação, tap, dança flamenca ou algumas técnicas de danças modernas como Lester Horton, José Limón ou Martha Graham, entretanto, o resultado da dança não necessariamente é fiel às técnicas que foram solicitadas. A pesquisa em dança contemporânea tem como premissa a busca de um movimento individualizado, de acordo com a autora Laurence Louppe, em seu livro “Poética da Dança Contemporânea” (Lisboa: Orfeu Negro, 2012).

Não descarta-se as técnicas que o bailarino/intérprete conhece previamente, mas, em sua pesquisa, ele busca desenvolver uma movimentação que seja específica de seu corpo e, com a repetição, estabelecer critérios de execução que se tornem a própria técnica de seu trabalho individualizado: o que deve acontecer para cada projeto coreográfico.

A dança contemporânea não se define em técnicas ou movimentos específicos, pois o intérprete/bailarino ganha autonomia para construir suas próprias coreografias a partir de métodos e procedimentos de pesquisa como: improvisação, improvisação de contato, método Laban, técnica de release, Body Mind Centering (BMC), Alwin Nikolais. Esses métodos trazem instrumentos para que o intérprete crie as suas composições a partir de temas relacionados com questões políticas, sociais, culturais, autobiográficas, comportamentais e cotidianas, como também a fisiologia e a anatomia corpo. Aliado a isso, viu-se a necessidade de uma pesquisa teórica para complemento da prática. O corpo na dança contemporânea é construído na maioria das vezes a partir de técnicas somáticas, incluindo o trabalho da conscienciatização do corpo e do movimento, como as técnicas de Alexander, Feldenkrais, eutonia, Klauss Vianna entre outros.